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Reportagem sonora · Episódio único

De volta àCasa
Abandonada

O hype pode ter passado,
mas a casa continua lá.

Uma reflexão em podcast sobre true crime, jornalismo e as histórias reais que escolhemos escutar.

POR GISELE SOBRINHO TEIXEIRA · ORIENTAÇÃO ANDRIOLLI COSTA

Casa ilustrada com janelas vermelhas e efeito de derretimento, em uma adaptação da capa de A Mulher da Casa Abandonada
Imagem adaptada da capa do podcast A Mulher da Casa Abandonada, de Chico Felitti, que deu origem ao projeto.
Antes do percurso / O caso e a repercussão

A história antes das pegadas.

Uma trabalhadora, duas décadas de exploração

Em 1979, o casal brasileiro Renê e Margarida Bonetti mudou-se para os Estados Unidos levando a trabalhadora doméstica Hilda Rosa dos Santos. Ela viveu e trabalhou na casa da família até abril de 1998. A decisão judicial que examinou o caso descreve quase dezenove anos sem pagamento de salários, jornadas exaustivas, retenção do passaporte e agressões físicas. Antes de se tornar uma história sobre um casarão, este era um caso de violência contra uma trabalhadora. [1]

Continuar lendo o histórico e a repercussãoRecolher o histórico

Renê foi condenado nos Estados Unidos a seis anos e meio de prisão; em 2002, a corte de apelações manteve a condenação e determinou a revisão da negativa de restituição à vítima. Margarida voltou ao Brasil durante a investigação e não foi julgada naquele processo, conforme a cobertura da Folha em 2022. Décadas depois dos fatos, sua vida em uma mansão deteriorada em Higienópolis, São Paulo, tornou-se o ponto de partida de uma investigação jornalística. [1] [2] [3]

Do podcast à rua, às telas e ao debate público

Em 8 de junho de 2022, a Folha de S.Paulo lançou A Mulher da Casa Abandonada, escrito e apresentado por Chico Felitti. A curiosidade em torno da casa conduzia os ouvintes ao passado de sua moradora. A dimensão do alcance apareceu rapidamente: em 19 de julho, a Folha informou que os seis episódios então disponíveis somavam quase sete milhões de downloads, segundo dados da Triton. [6] [3]

A repercussão saiu das plataformas de áudio. Em julho, uma reportagem do TAB/UOL registrou visitantes diante da mansão, selfies, transmissões ao vivo, câmeras de televisão e rumores sobre a casa. A curiosidade mobilizava deslocamentos e novas produções de conteúdo. Para este projeto, essa circulação coloca uma questão central: o que acontece com a experiência da vítima quando o interesse pelo caso se concentra no cenário, no mistério e na figura da pessoa acusada? [4]

O alcance também deu visibilidade ao trabalho escravo doméstico. O Ministério Público do Trabalho em Pernambuco relacionou a projeção do podcast à atenção ao tema e registrou cinco denúncias em junho e julho de 2022, diante de uma entre janeiro de 2021 e maio de 2022. “As pessoas estão cada vez mais atentas ao trabalho escravo doméstico”, afirmou a procuradora Débora Tito. O registro do órgão indica maior visibilidade do tema naquele período. [5]

A história continuou circulando. Em agosto de 2025, ganhou uma série documental de três episódios no Prime Video. Em entrevista à Amazon, Felitti destacou a participação de Hilda na adaptação, após ela ter preferido não conceder entrevista para o podcast. A passagem do áudio ao audiovisual retomou o caso com outros depoimentos e outra forma de narrar. [6]

De Volta à Casa Abandonada, de Gisele Sobrinho, parte dessa repercussão para investigar a escuta de jornalistas e estudantes de Jornalismo. O percurso a seguir convida a pensar como a narrativa envolve o público, quais responsabilidades acompanham essa imersão e onde aparecem os limites do sensacionalismo. [7]

Fontes e documentos
  1. United States v. Bonetti — Corte de Apelações do 4º Circuito dos EUA, 2002 (PDF em inglês).
  2. Folha de S.Paulo — Entenda por que o caso nunca foi julgado, 13/07/2022.
  3. Folha de S.Paulo — Rankings e audiência do podcast, 19/07/2022.
  4. Cláudia Castelo Branco, TAB/UOL — O impacto em Higienópolis, 08/07/2022.
  5. MPT em Pernambuco — Operação Resgate II e denúncias de trabalho escravo doméstico, 2022.
  6. About Amazon Brasil — Entrevista com Chico Felitti sobre a adaptação documental, 14/08/2025.
  7. Andriolli Costa, Observatório da Imprensa — Apresentação de De Volta à Casa Abandonada, 16/07/2026.
Abertura / De Volta à Casa Abandonada

O ponto de partida
da reportagem.

Este é o início do podcast de Gisele Sobrinho. A abertura retoma a repercussão do caso e apresenta as perguntas que orientam a reportagem.

Depois de conhecer o histórico, acompanhe como a narrativa começa e siga o percurso de escuta.

Seguir o percurso ↗
Abertura de De Volta à Casa Abandonada, em vídeo divulgado pelo Lunar, com imagens de outras produções. Identificações e legendas presentes no vídeo foram preservadas. Reel original ↗
01 / O percurso

O caminho até a casa.

Cinco etapas para compreender o gênero, conhecer a pesquisa e examinar as escolhas e os efeitos da narrativa.

0 de 5 paradas exploradas
02 / As vozes

Quem escuta também conta.

Quatro entrevistadas, seis perspectivas de escuta. Escolha um tema, ouça o depoimento e abra o texto para conhecer seu contexto.

Depoimentos de De Volta à Casa Abandonada. Excertos em texto e apresentações baseados no roteiro e no relatório de Gisele Sobrinho.

03 / Além dos fones

A escuta continua aqui.

Conversas, imagens e leituras para acompanhar as questões que o podcast deixa abertas.

Rogério Christofoletti em entrevista a Gisele Sobrinho · Trecho divulgado pelo Lunar · Reel original ↗
Entrevista / Ética e narrativa

Entre a imersão
e o justiçamento.

Na conversa com Gisele, Rogério Christofoletti discute a responsabilidade de quem narra crimes reais, a economia da atenção e os efeitos das escolhas estéticas.

O trecho em vídeo abre o debate. A matéria reúne outros pontos da entrevista realizada para a pesquisa.

Ler a entrevista ↗
Observatório da Imprensa · Apresentação do projeto

Podcast propõe reflexão sobre as fronteiras entre narrativas true crime e jornalismo sensacionalista

Na matéria assinada por Andriolli Costa, a proposta do programa é apresentada a partir da pesquisa e das perguntas que orientam o retorno à casa.

Ler a matéria ↗
Arquivo visual / Repercussão midiática

Quando a casa vira espetáculo.

A repercussão de A Mulher da Casa Abandonada atravessou o podcast: virou visita à casa, imitação nas redes, cobertura televisiva e, depois, série documental. Estes registros ajudam a observar como uma denúncia passa a circular como imagem e atração pública.

01 / Visitantes e redes sociais · 2022

A personagem como fantasia.

Dois visitantes de roupas claras e rostos cobertos de branco posam diante do portão da casa de Margarida Bonetti.
Visitantes reproduzem a aparência associada a Margarida Bonetti em frente ao imóvel. Crédito: @ofabiocarvalho / Instagram, conforme o Instituto Palavra Aberta (21/07/2022).

A aparência da moradora se transforma em elemento de encenação e registro para as redes. A imagem abre uma pergunta sobre o deslocamento da atenção: da violência investigada para a personagem que virou assunto.

02 / Televisão e transmissão ao vivo · 20/07/2022

A retirada dos cães vira notícia.

Luisa Mell e Margarida Bonetti frente a frente no quintal da casa, com um cachorro entre elas.
Luisa Mell e Margarida durante a ação de retirada de um cachorro. Crédito: reprodução das redes sociais de Luisa Mell. A ação circulou em live e foi exibida no Brasil Urgente, apresentado por Datena. Fontes: Radio Jornal e UOL Splash.

A operação policial, a presença da ativista e a reação da moradora passaram a ocupar a cobertura em tempo real. A atenção aos animais se somou às disputas sobre como narrar o caso e quem aparecia no centro da história.

03 / Da rua ao streaming · 2022 → 2025

A multidão entra no cartaz.

Grupo de pessoas reúne-se na calçada diante da casa de Margarida Bonetti à noite.
Aglomeração diante da casa, em registro publicado na cobertura de 2022. Fotografia: Sofia Pilagallo / iG. Ver a reportagem.
Cartaz da série A Mulher da Casa Abandonada: uma multidão aponta celulares para a casa, com uma mulher na janela.
Cartaz de A Mulher da Casa Abandonada, série documental lançada em 2025. Crédito: divulgação / Prime Video. Ver a divulgação.

O cartaz retoma visualmente a cena de pessoas reunidas diante do imóvel, com celulares voltados para a casa. Colocados lado a lado, o registro da rua e a ilustração permitem ler a própria repercussão como parte da imagem pública do caso.

Quando o público vira plateia — e depois aparece na divulgação —, que lugar sobra para a história da mulher submetida à violência?

04 / A pesquisa

A pesquisa por trás da escuta.

Trabalhos apresentados na Intercom, na ALAIC e no Vozes em Órbita acompanham o desenvolvimento do projeto.

INTERCOM SUDESTE2024 · Barbacena/MG

A Recepção da Mulher da Casa Abandonada: O Gênero True Crime e a Espetacularização da Violência

Gisele Sobrinho · 5 páginas

Ler trabalho ↗
ALAIC2024 · Bauru/SP

O True Crime e a narrativa estetizada: um estudo de recepção do podcast “A Mulher da Casa Abandonada”

Andriolli de Brites da Costa e Gisele Sobrinho
Anais, p. 148–151

Ler nos anais ↗
VOZES EM ÓRBITA2025

A estetização da narrativa no true crime

Gisele Sobrinho Teixeira

Ler trabalho ↗
05 / Sua escuta

O que faz você
continuar ouvindo?

A investigação? O suspense? A conversa com outras pessoas? Escolha um ponto de partida para refletir sobre sua própria escuta.

UMA REFLEXÃO INDIVIDUAL. SUA RESPOSTA NÃO É ENVIADA.

06 / A reportagem

Agora, escute
o caminho completo.

Um podcast que retorna a A Mulher da Casa Abandonada para discutir consumo, construção narrativa e os limites do sensacionalismo.

Produção, roteiro, edição e apresentação: Gisele Sobrinho Teixeira.
Orientação: Andriolli Costa.
Laboratório de Podcasts Narrativos da UERJ — Lunar.

Arte oficial de De Volta à Casa Abandonada, com suas áreas brancas preservadas

De Volta à Casa Abandonada

Ouça o episódio completo no Spotify ou abra o player aqui.

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Quem fez esta reportagem

Gisele Sobrinho Teixeira

Gisele Sobrinho Teixeira é jornalista formada pela UERJ, com experiência em produção de podcasts narrativos, entrevistas, captação e edição de áudio. Foi bolsista e voluntária do Lunar e atuou nos podcasts independentes A Casa das Mulheres da Maré e Nós as Mina. É autora de De Volta à Casa Abandonada e apresentou pesquisas sobre podcasts de true crime na Intercom e na ALAIC.

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